Rugby Mania

Rodrigo dos Reis

Alguém que sempre procurou entender, praticar e pregar os valores de um rugbier, mesmo antes de sê-lo. Primeira-linha por convicção, paixão, conveniência e (in)capacidade física. O miolo do scrum é onde o rugby acontece, onde o Terceiro Tempo padece! Rugbeer, Dirigente, Administrador de Empresas, voluntário e profissional com a mesma essência. rodrigoreis@rugbymania.com.br

Twitter Rodrigo dos Reis

O Rugby e a Memória Seletiva

março 22, 2012 às 15:12h
Notícias

Tenho medo da “memória seletiva”. Nunca estudei o assunto, nem pelo prisma físico, abordando questões de doenças degenerativas e/ou o funcionamento fisiológico do cérebro (tenho receio até de usar os termos errados); nem pelo prisma psicológico, tentando descobrir porque lembramos de algumas coisas e esquecemos de outras. Fato é que o rugby brasileiro sofre desse mau.

Conforme o tempo passa e o rugby brasileiro se desenvolve, o cenário muda. Ao invés de poucos abnegados, temos uma legião de interessados, muito deles com uma visão moderna, tratando o rugby como um negócio, um gerador de empregos e renda, um filão de mercado. É normal. Digo mais, é irreversível.

Trabalhou-se tanto para que o rugby se desenvolvesse, chegasse a diferentes regiões, atingisse um grande número de praticantes, fosse de fato grande no Brasil! E agora? Estamos no meio (prefiro dizer que estamos no início) do caminho e a tal memória seletiva começa a aparecer.

Aqueles que antes eram amigos e faziam juntos a mesma coisa, agora são concorrentes e disputam ferrenhamente por espaço, mídia, dinheiro, “clientes”. A palavra já não vale mais a mesma coisa quando o dinheiro faz parte da conversa? E para onde foi tudo aquilo que se construiu com os abnegados voluntários e incansáveis amantes/amadores do esporte que tanto adoramos?

Esquecemos aquilo que o rugby nos ensinou e passamos a levar para fora de campo aquilo que aconteceu no calor do jogo? Aquelas lições de companheirismo, respeito e lealdade foram vendidas por melhores oportunidades de negócio? Se é assim que a coisa funciona, então aprendi errado… ou então a minha memória seletiva está elegendo como importante só o que me interessa.

Deixaremos de acreditar na essência daquilo que pregamos e transformaremo-nos em usurpadores do rugby! Teremos dinheiro, bens, status, muitos clientes! E uma vida vazia de princípios e valores. Aquilo que era realmente importante está deixando de ser… Uma pena!

Luto para que a minha memória selecione bons momentos que o rugby me proporcionou e faça deles instrumentos para que possamos “manter o rugby limpo” também em nossas atitudes extra campo, extra jogo, extra esporte.

Que realmente o rugby seja uma ferramenta de mudança, não apenas uma justificativa para atingirmos aqueles que não nos agradam ou que pensam de forma diferente. Pôr em prática o que pregamos é o mínimo para garantir a continuidade do que acreditamos.

Proponho mais do que um pequeno exercício de memória: lembre-se dos seus amigos, dos momentos divertidos, dos aprendizados, lições, boas ou más experiências que ajudaram a construir a sua essência, seu caráter. O rugby faz parte dessas lembranças?

Keep rugby clean! E não estamos falando de doping…

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6 Comentários

  1. Ruffus disse:

    Sempre boas lembranças dos tempos que eu dividia a segunda linha com meus amigos.

  2. Diego Dubard disse:

    Rodrigo, uma das grandes características do rugby são os valores e não tenho dúvida que estajam ligados ao tempo do amadorismo. Não existiu rugby amador em quantidade suficiente para que os valores fiquem intrinsecos ao esporte e ao seu jogar.
    Tenho medo do que pode vir a ser o rugby brasileiro.

  3. Me orgulho de ter fazido parte do grupo q arrumava o rugby do estado com amigos, colegas de uniformes diferentes.

    Belo texto rodrigao

    Naza – Serra R.C.

  4. Aluisio disse:

    Parabéns, pela matéria.
    Penso que já que o profissionalismo é um fato, devemos discutir o formato deste profissionalismo, devemos colocar regras claras que não distorçam a disputa dentro do Campo de Rugby.

  5. Luis Aguiar disse:

    Chê…não tinha lido o texto do Rodrigão com atenção, nem lido atentamente o comentário do Diegão. Penso que o Rodrigão tá fazendo uma critica pontual, pra alguma situação especifica. O que é plenamente válido.
    Com relação ao comentário do Diego (Brasilia Rugby), nunca tinha pensado por esse ângulo, mas é muito interessante o que ele fala! No Brasil, temos rugby a não mais de 20 anos, o que é quase nada numa linha do tempo que vem desde 1823. O tempo de rugby em SP pra mim não conta…estava enclausurado entre grades de clubes que não contribuíram em quase nada pra disseminação do esporte no país. A responsabilidade de semear os princípios é de todos, mas que há possibilidade grande de perder o rumo, isso há!

  6. Patricia disse:

    Testo muito bom, Digo, Parabéns!

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