Rugby Mania

João Paulo Minchio

Sou um rugbier amador e um amante do rugby. Estou engatinhando na arbitragem, que comecei a estudar em 2011. Lamento ter conhecido o esporte somente em 2003, na época do Mundial da Austrália. Tive que esperar até 2007 para poder realizar o sonho de me tornar um praticante, junto com meus amigos de Vitória-ES. Em setembro de 2008 fui convidado por Tárcio Corá a integrar a equipe de colaboradores do RugbyMania. Desde então não parei mais de escrever. Aviso aos leitores que sou torcedor do ASM Clermont Auvergne (França), desde junho de 2007, por motivos pessoais muito fortes. E também que minha simpatia pelo XV da França é similar. Mas peço que não se preocupem, porque aqui no site eu tento me controlar! joaopaulo@rugbymania.com.br

Twitter João Paulo Minchio

Já temos um símbolo. Cuidem de outras coisas!

fevereiro 29, 2012 às 00:07h
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Eu não acompanhava o rugby. Tenho acompanhado depois desta questão da logomarca”. Esta confissão (veiculada na TV!), por incrível que pareça, vem de um dos responsáveis pela criação de um  “símbolo para o rugby brasileiro”. A CBRu, incomodada pelo fato da seleção brasileira de rugby não ser costumeiramente chamada por nenhum apelido, pediu (pagou) para que marqueteiros, dos que absolutamente nada entendem de rugby,  tomassem providencias quanto ao assunto.

E assim se encaminha para que mais um símbolo de nosso esporte seja pulverizado. Sim, porque ainda que pouco lembrada, a Vitória-Régia – planta típica de áreas alagadiças – já representa o rugby por aqui. Pobre planta… esquecida até mesmo pelos ambientalistas, que pouco se mobilizam por um dos ambientes mais ameaçados deste país – as zonas úmidas, engolidas pela expansão urbana irregular, aterradas para ceder espaço para… futuros assentamentos humanos alagáveis! Mais triste ainda observar que enterrá-la está nos planos até dos dirigentes de rugby.

Eu não estaria me manifestando publicamente, botando a cara a tapas, se esta já não fosse a gota d’água. Nosso antigo escudo, que tinha as iniciais da antiga Associação Brasileira de Rugby, foi totalmente descaracterizado quando aconteceu a transição de nome institucional para Confederação Brasileira de Rugby, em 2010. Claro que uma mudança era necessária, afinal a sigla havia mudado. Mas o que fizeram foi simplesmente pagar alguém para adaptar o escudo de um time inglês de futebol, o Arsenal, transformando-o em nosso logotipo. Não há como deixar de observar isso ao comparar os dois…

Eu vi também desconhecimento ou negligência ou tentativa de apagar o passado (seja lá o que for) quando li recentemente em uma matéria feita pela empresa paga para divulgar as ações da CBRu, a ZDL, onde aparecia a informação que o Brasil nunca havia disputado uma etapa do Circuito Mundial de Sevens, promovido anualmente pelo IRB. Como assim? Se fossem uma ou duas participações de um passado muito distante e sem testemunhas, até que dava para tolerar. Mas tinha atleta, no seio do elenco que viajou e disputou este mês a etapa de Las Vegas do circuito, que já esteve anteriormente com a seleção em etapas do Circuito Mundial de 7’s… As participações brasileiras estão no quadro abaixo, elaborado pelo nosso colaborador Manuel Cabral (que é português).

Já que estou descarregando tudo aqui, gostaria que soubessem que torço o nariz para reportagens que puxam “toda a brasa para nossa sardinha”.  Destaques como “Seleção termina oitavo lugar em Dubai” [quando se tem oito participantes no torneio] ou “Brasil conquista medalha de bronze no Emirates Airline Cup of Nations” [quando a competição tem 4 times] não fazem o menor sentido de serem publicados [publicados desta forma, me refiro]. Quem precisa ser enganado com títulos assim? Por que tão pouco realismo?

Aos marqueteiros contratados, cabe mostrar serviço para que no próximo Sul-Americano de Sevens quem investe dinheiro em nosso esporte tenha sua imagem devidamente divulgada na televisão. O que se notou em eventos anteriores foram exemplos de amadorismo em meio a supostos profissionais (!). Placas publicitárias com logotipos minúsculos na beira do campo, bandeiras de canto em forma de cabos de vassouras, protetores de traves também com logos muito pequenos. Sem contar a total falta de utilização de pintura anamórfica na superfície gramada – tão comuns em nosso esporte (claro, em campos divididos com o futebol, geralmente só se aproveita o espaço dos in-goals).

Eu posso até não ter tanto tempo de rugby assim. Mas sei que o esporte não chegou ao Brasil em 2010. O nosso passado não é uma folha em branco. Essa, não dá para engolir. Eu não vou.

 

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5 Comentários

  1. Daniel I. disse:

    Bato palmas para o comentário da Patricia e o assino embaixo. Já que a crítica raivosa foi feita em relação aos profissionais de marketing, eu tomo as dores e faço questão de fazer o papel do “advogado do diabo” nesse caso.

    Profissional de maketing não é nem tem que ser especialista em área nenhuma a não ser a sua. É o mesmo que dizer agora que todo rugbier tem obrigação de saber pilotar um avião, já que os usa bastante para disputar os campeonatos. Marketing é uma ferramenta da comunicação. O profissional dessa área se informa o suficiente (com base na opinião, aí sim, de quem ‘é do ramo’) para passar uma mensagem. E o fizeram tão bem que se tornou uma verdadeira referência no marketing esportivo brasileiro. Eu sei porque sou profissional de marketing.

    Por favor, não me venha com uma matéria cheia de hipocrisia dizendo que só a CBRu “se inspira” em outros logos pré-existentes. Me dê um único exemplo de logo original do rugby no mundo inteiro. Não existe. Escolha qualquer um e eu te dou uma possível “fonte de inspiração”. E não é só o rugby. Com bilhões de logos no mundo inteiro, não existe nada de novo nessa área. Tudo se transforma. Se você quer minha opinião de profissional de marketing, o símbolo da vitória-régia é patético como símbolo, já que representa apenas uma região do Brasil. Um gaúcho teria orgulho de defender a vitória-régia como símbolo? E ter uma planta não é uma cópia barata de outras seleções que também possuem sua planta, como a Inglaterra ou a Nova Zelândia? Isso é ser original para você? Eu sou muito mais carcará ou tupi.

    E, em termos de marketing, se a atual gestão não está fazendo um trabalho exemplar (mesmo com suas humanas falhas), então você consegue explicar a explosão de popularidade do esporte em 2009/2010? Foi algum resultado expressivo que tivemos? Foi porque o brasileiro ‘decidiu’ que queria um esporte novo? Isso é marketing. Aceite a popularização do esporte, já que ele não é SEU. Aprenda a aceitar opiniões distintas da tua e respeite profissionais de outras áreas, principalmente quando eles ajudam o desenvolvimento do rugby no Brasil. E por fim, tenha humildade, que tanto ajuda no crescimento pessoal. Se você cobra melhorias, melhore você primeiro e mostre o exemplo. Críticas são sempre bem-vindas, mas sempre quando são construtivas e não bravatas gratuitas.

    Obrigado pela atenção.

  2. Bruno disse:

    Nem tanto o céu, nem tanto ao inferno. É de se destacar o trabalho que a atual gestão da CBRu está fazendo em termos de marketing, conseguindo espaços junto a mídia, principalmente TV a cabo, para a transmissão dos campeonatos e da seleção, e consequentemente dos seus parceiros.

    Entretanto, acho que há alguns detalhes que devem surgir naturalmente para representar algo. Não vou me apegar aos clubes de rugby, pois não conheço a história de boa parte deles. Mas aos clubes de futebol, a maioria deles ganharam apelidos que surgiram entre seus torcedores ou a imprensa. Acho que o apelido da seleção brasileira poderia surgir neste contexto.

    E só para constar que, se formos levar em consideração a localização geográfica para definir o apelido, também a seleção não deveria ser chamada de Tupi, pois o grupo indígena habitou a faixa litorânea de boa parte do Brasil, e não o chamado “interior” do país, conhecido atualmente como os estados de Goiás, Mato Grosso, Acre, etc. O apelido e o mascote tem que ter uma simbologia muito mais forte do que meramente a origem deste.

    E acho, sim, que os profissionais de marketing tem que buscar referência históricas para criar as imagens que irão representar a quela empresa, instituição, governo, clube esportivo, etc. Aliás, muitos profissionais desta área recorrem a isso. Somente é preciso se atentar se foi feita alguma pesquisa de levantamento da história do rugby no Brasil. Quem sabe, lá no passado, a seleção brasileira de rugby tenha tido um outro apelido e mascote.

  3. paulo serrgio disse:

    Vitória Régia Amazonas na aréa ae do simbolo hehehe valeu CBRu

  4. VIxi disse:

    Nossa, quanta merda eim. Entende nada de símbolos de identidade, nada de design, nada de publicidade, nada marketing e nada de rugby também. Pelo amor de deus, pra que falar um monte de coisa sobre aquilo que você não conhece?

  5. Lucas disse:

    Se você estudar um pouco de design, vai perceber que essa forma de escudo é a mais utilizada atualmente. As seleções da Irlanda, Gales e Eslovênia também tiveram seus escudos remodelados recentemente para o “padrão Arsenal”. Mas eu também não gostei do resultado, poderíamos ter feito algo com mais personalidade.

    Não sei se o autor do texto é estrangeiro, mas algo tão mal escrito não pode ser publicado dessa forma. Se for brasileiro, melhores sua escrita. Se for estrangeiro, peça para a equipe do rugbymania revisar o seu texto.

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