Rugby Mania

Marcel Souza

Atleta de Rugby em Cadeira de Rodas e Administrador Público nas horas vagas. E-mail: marcel@rugbymania.com.br

Twitter Marcel Souza

O Rugby em Cadeira de Rodas

fevereiro 27, 2012 às 23:18h
DestaqueNotícias

A partir de agora o Rugby Mania também vai cobrir o Rugby em Cadeira de Rodas e esse que vos escreve será o responsável por tal empreitada.

Já que agora existe uma coluna exclusiva para o esporte, nada mais adequado do que começar explicando o esporte para os que não conhecem e até mesmo para os que já tiveram algum contato, mas não estão familiarizados.

A modalidade foi criada em 1977 no Canadá para ser um esporte que incluísse os tetraplégicos que não tinham muito espaço para jogar basquete em cadeira de rodas, esporte paralímpico mais comum. Isso porque os tetraplégicos possuem algum tipo de disfuncionalidade nas mãos, o que dificulta a prática do basquete.

Inicialmente chamado de “murderball”, o novo esporte foi desenvolvido a partir de elementos do basquete, hockey no gelo, handball e rugby, permitindo aos tetraplégicos a prática de uma atividade física adequada as limitações impostas por esse tipo de deficiência. No caso do Rugby em Cadeira de Rodas, é considerado tetraplégico aquele que possui algum tipo de deficiência em pelo menos três membros do corpo.

O Rugby em Cadeira de Rodas é disputado em uma quadra com as dimensões da quadra de basquete, que conforme a figura abaixo possui um desenho diferente. A diferença está na “área chave” que delimita a linha de gol, marcada por dois cones posicionados a 8 metros de distância. O objetivo do jogo, então, é atravessar a linha de gol com a posse da bola, que no caso é semelhante a uma bola de vôlei.

Um dos fatores mais interessantes do Rugby em Cadeira de Rodas é a classificação funcional dos atletas. Para garantir a inclusão de todos, cada jogador recebe uma classificação que varia de 0,5 a 3,5 pontos sendo definida de acordo com o nível de severidade da lesão de cada um. Por equipe, são permitidos 4 jogadores de cada vez em quadra, sendo que a soma das classificações desses jogadores não pode ultrapassar 8 pontos.

Vou deixar para explicar a dinâmica da classificação e como ela afeta o jogo em uma próxima oportunidade, já que ela é fundamental para que se entenda o jogo taticamente. Do contrário, esse texto de apresentação ficaria enorme.

Outro fator peculiar do jogo são as cadeiras de rodas. Existem dois tipos de cadeiras: as de ataque (direita) e defesa (esquerda). As cadeiras de ataque são geralmente utilizadas por jogadores que possuem a classificação maior. Esse tipo de cadeira tem um formato arredondado na frente, com o intuito de garantir a mobilidade desse jogador em quadra. Geralmente, são esses jogadores que possuem o dever de conduzir a bola e marcar pontos, por isso é vital que esses jogadores não fiquem presos ou sejam bloqueados.

A cadeira de defesa é utilizada por jogadores com classificação funcional baixa. Eles tem a responsabilidade de bloquear e abrir espaço na quadra para o condutor da bola. Dessa forma, a cadeira tem uma grade na frente que serve para bloquear e segurar jogadores da equipe adversária. A regra prevê as especificidades de cada cadeira e cabe a cada jogador escolher com que tipo de cadeira jogar.

Para finalizar, vou expor mais algumas regras do esporte e deixar um vídeo de uma partida completa, para que vocês possam ter contato com a dinâmica do jogo.

O esporte é misto, ou seja, homens e mulheres podem dividir a quadra. Não é permitido ao jogador a posse passiva da bola por mais de 10 segundos, ele deve quicar ou passar a bola. Não é permitido a defesa ter mais de 3 jogadores dentro da área chave. E não é permitido a um jogador de ataque permanecer por mais de 10 segundos dentro da área chave. A equipe atacante possui 12 segundos para atravessar de sua meia quadra de defesa para a de ataque, além de possuir 40 segundos para concluir o ataque. O contato é permitido entre cadeiras com algumas ressalvas, não é permitido causar o “spin” que consiste em acertar a roda do adversário do eixo da roda para trás. Se isso acontecer em alta velocidade é queda na certa. A punição é a mesma para qualquer contato físico, 1 minuto fora de quadra para o jogador infrator. E por ultimo, o jogo é disputado em 4 quartos de 8 minutos cada, com prorrogações de 3 minutos em caso de empate.

Chega de regras por enquanto, o jogo tem muitas especificidades e não queira entender tudo de uma vez. Assista um pouco da partida que vou disponibilizar aqui embaixo e com o conhecimento que você acabou de adquirir, curta o Rugby!

Esse jogo é entre Tucson Pterodactyls e Portland Pounders pela final do campeonato nacional dos Estados Unidos do ano passado.

 

Compartilhe
Facebook Twitter Email Delicious

12 Comentários

  1. Handoff disse:

    É muito dinâmico, surgiram algumas duvidas: quando o atleta se desequilibra no 4o video, o jogo continua normalmente? As cadeiras nao podem ser chocadas da roda p/ trás, mas se for chocada apenas na parte traseira sem acertar a roda é falta? Parabéns pela matéria, vou aguardar mais regras.

    • Marcel Souza disse:

      O jogo continua se o juiz percebe que não há ameaça a integridade física de ninguém. Acertar a parte traseira com força excessiva, numa situação desnecessária, é falta também. Na medida em que eu for escrevendo mais, as regras vão aparecer e o esporte vai ficar mais claro. Grande abraço e obrigado!

  2. Panda Sene disse:

    Caraca… Boa iniciativa cara, fico aqui na torcida pelo sucesso! Há, escreve algo falando bem da arbitragem heim! Ai os vídeos que colocou nessa matéria são incríveis e a forma com que escreveu deixou claro o que é o Rugby em Cadeira de Rodas, espero que as notícias sejam vistas pelo mundo todo!

    Abraço!

    • Marcel Souza disse:

      Fala Panda! Faz parte do meu planejamento entrevistar um de vocês. Só vou passar esse processo de apresentar o esporte para diversificar a coisa! Muito obrigado pelo apoio e grande abraço!

  3. GUTO disse:

    Excelente materia. A RM precisava mesmo divulgar melhor isso, gracas a voce temos um bom comeco desta modalidade para explicitar.

  4. Esdras disse:

    Parabéns pelo testo ficou ótimo e bem explicado, nos do quadrirugby (BHRUGBY) agradecemos pela oportunidade de mais esse canal de divulgação.

  5. THYARA disse:

    Marcel… sou suspeita de falar pq já sou sus fã faz tempo… mas tá ótimo o artigo… muito bom mesmo!!!!! admiro muito ua forma de ver avida e se expressar… é isso garoto.. PARABÈNS!!! sucesso …..

  6. luciano siviero disse:

    Handoff, blz! Quando um jogador c desequilibra ou cai o jogo continua até a bola parar a não ser q esteja em risco a integridade física do jogador, bater por traz da cadeira e permitido para tentar direcionar o jogador adversário ao cone ou para fora da quadra quando este jogador estiver com a posse da bola ou na jogada + não é permitido excesso de contato por traz principalmente em jogadores ponto baixo, ai é falta, pelo q sei é isso o Panda Sene que comentou apos vc pode explicar melhor ele é arbitro!
    Marcel parabéns pela matéria começou muito bem, e obrigado por ajudar a divulgar nosso esporte!Abraço.

  7. Hélio Ribeiro disse:

    Grande Marcel, excelente texto. Parabéns pela iniciativa em divulgar o Rugby em cadeira de rodas. Quanto mais pessoas tiverem acesso mais forte ficará o esporte. Força, determinação e muito foco. Sucesso!!!!!

  8. SERGIO CASTRO disse:

    Sensacional esporte para Tetraplégicos. O Brasil avança a passos largos para ser um dos melhores do mundo com a competente direção do Comite Paralímpico Brasileiro.

  9. Matheus disse:

    Muito bom os artigos vou usar trechos para trabalho de escola.

  10. Prezados Companheiros,
    Coloco-me a disposição para maiores esclarecimento sobre a modalidade que teve início com a primewira seleção no Brasil em 2005, com os Jogos Mundiais de Cadeira de Rodas e Amputados.

    Saldalções,
    Moyses Sant’Anna, MSc,PhD
    Presidente da Federação de Rugby em Cadeira de Rodas do Estado do rio de Janeiro – FERCRERJ – fercrerj21@yahoo.com, site em construção.

Comente

*
*

Cadastre-se em nossa newsletter E-mail