Rugby Mania

Karlla Davis

Colunista do RugbyMania desde 2010. Email de contato: karlla@rugbymania.com.br Twitter: @lijasmim Apesar de tentar falar um pouco sobre a experiência que vivo atualmente, meu foco nesta coluna é o Rugby Feminino e também a arbitragem.

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A preparação de um árbitro

fevereiro 15, 2012 às 10:05h
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O texto abaixo é do site de árbitros da Africa do Sul e foi adaptado pelo árbitro Henrique Platais à nossa realidade.

Professores irão te falar da importância da preparação, pintores de parede também vão falar do mesmo. Muitas pessoas diferentes vão falar da importância da preparação. E ela também é importante para os árbitros. Agora, vamos falar de 2 estágios da preparação: remota e pré-partida. Posteriormente, vamos falar da preparação imediata.

 Preparação remota: para nós, se preparação ainda não começou, deve começar agora. E estamos falando de duas partes distintas: corpo e mente.

A preparação física é condição sine qua non para o árbitros que almejam uma boa performance e quanto maior a ambição, melhor preparado ele deve estar.

Para o árbitro, as valências físicas requeridas são velocidade e resistência. Árbitros não precisam tacklear e não são tackleados. Eles também não precisam empurrar ou puxar. Eles precisam correr e seu treino físico deve estar direcionado para desenvolver sua velocidade de arrancada e resistência para suportar esses tiros durante toda uma partida sem nenhum desconforto.

Um árbitro nunca deve decidir durante um jogo sobre mudar seu corpo e condicionamento. Seu corpo já deve estar em tal condição que não seja um fator em sua arbitragem. Ele também deve entender os testes físicos como um estímulo para a obtenção de níveis físicos adequados.

Uma dieta saudável é aconselhável. Comer alimentos que fazem você se sentir bem acrescenta ao seu bem-estar. Exagerar nos carboidratos não é para todos. Alguns alimentos fazem você se sentir letárgico e lento.  Outros fazem você se sentir enérgico e ágil. Você deve querer o último. Procurar um nutricionista é uma boa ideia para equalizar sua alimentação.

Preparação remota também inclui planejar as viagens. No Brasil, essa questão é importante em razão das distâncias. É muito mais fácil preparar-se para jogos locais do que se preparar para jogos que incluem viagens mais longas. O árbitro deve buscar as informações do jogo no começo da semana, e  estar preparado também no sentido de conciliar suas questões profissionais, acadêmicas e familiares de modo que elas não atrapalhem a sua viagem.

 É importante assegurar-se que está em paz com sua família uma vez que ela pode interferir na sua concentração e no quanto você desfruta. Igualmente, o árbitro precisa estar em paz com seus compromissos de trabalho e precisa planejar bem a sua viagem de modo que empecilhos e stresses estejam minimizados. Além disso, logicamente, o árbitro precisa estar seguro de como se chega ao campo de jogo.

 Preparação Mental: Roube com os seus olhos. Observe outros árbitros. Olhe o que eles fazem , o que funciona no seu gerenciamento do jogo e trato com os jogadores, no seu posicionamento em campo, e outros aspectos que sejam importantes na sua arbitragem.

A televisão proporciona muitas oportunidades para assistir árbitros de alto nível e observá-los pode ajudar no desenvolvimento de estabelecimento de ideais.  É mais produtivo, observar/analisar o que funciona bem do que buscar aquilo que não está certo.

Preparação Pré-Partida:  Você recebeu sua designação, já conhece os times, a data e o local. Nessa partida inicia o foco da sua segunda parte na preparação.

 Existem os preparativos óbvios que devem ser feitos para que chegue no local da partida em tempo e equipado de tudo o que necessita. É necessário o máximo possível chegar ao local do jogo tranquilo e confiante. Verificar, onde fica o campo, quem você vai encontrar lá (sua equipe), se há alguém para recebê-lo e orientá-lo, como são os vestiários, etc.

O árbitro deve saber o que vai vestir, seu cronograma e o que vai pôr em sua mala. Uma rotina nesses aspectos é boa porque evita os possíveis esquecimentos típicos de quando se faz isso com pressa na última hora. Muitos fazem suas malas começando pelas chuteiras e terminando com os apitos e a toalha.  Cada um pode estabelecer seu próprio método.

Claramente, as oportunidades para aqueles que dirigem nos níveis maiores diferem daqueles que arbitram localmente nos clubes. Mas quanto mais coisas você consegue fazer como um árbitro Top melhor. Quanto mais os árbitros se esforçam para fazer melhor no próximo jogo, melhor. Olhar o que os árbitros TOP fazem e as oportunidades que aparecem para eles pode ser um estímulo para os outros para chegar mais alto.

 Nos dias que antecedem o jogo, o árbitro deve fazer seu plano de jogo e submeter ao seu coach antes do jogo O objetivo é fazer o árbitro começar a pensar em todos os aspectos do jogo, onde ele precisa aprimorar e destacar as áreas que ele precisa trabalhar e estar alerta. É nesse ponto que o árbitro deve entender os times que vai dirigir.

O árbitro deve estudar os times do jogo que ele vai dirigir? Deve-se tomar cuidado para diferenciar preparação de pré-conceitos. Muitas vezes, sabemos que determinado time ou jogador específico comete muitas faltas e entramos em campo condicionados a penalizá-los por isso. Este é um sério desafio ao bom senso do árbitro, julgamento, experiência, maturidade, calma, autocontrole e todas aquelas coisas que levam a melhor tomada de decisão.

 Em um test match esse ano, houve um bom exemplo de preparação pré partida. O árbitro tinha visto alguns scrums de uma equipe e notou como seu experiente hooker nos scrums formava mais à esquerda para se juntar ao pilar esquerdo e colocar pressão sobre o pilar direito adversário. Tendo observado isso antes, o árbitro foi capaz de falar com o hooker sobre isso no vestiário e quando o hooker entrou no segundo tempo, o árbitro simplesmente disse: “não para a esquerda.” E aqui temos um exemplo de problema evitado na preparação do pré-jogo.

Não são só os árbitros que estudam os times. Um dos personagens mais estudados é o árbitro. Ambos os times analisam suas forças e fraqueza. Eles traçam o perfil do árbitro e então sabem o que ele marca. As equipes não deixam nada ao acaso, os árbitros também  devem fazer o mesmo.

 Saber como as equipes jogam ou até mesmo onde “trapaceiam pode ser benéfico para o árbitro e para o jogo. Isso pode se tratado ao conversar com os treinadores antes dos jogos. Muitos treinadores buscam os árbitros para tirar dúvidas e entender critérios, os árbitros podem usar essa oportunidade para comentar alguns comportamentos inadequados.

Lembrem-se: Os árbitros devem fazer da sua preparação a mais específica e focada possível.

Colocando essas dicas em prática, estaremos com um grande passo nas nossas arbitragens em 2012.

O original está disponível em http://www.sareferees.co.za.

Henrique Platais

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