Rugby Mania

Rodrigo dos Reis

Alguém que sempre procurou entender, praticar e pregar os valores de um rugbier, mesmo antes de sê-lo. Primeira-linha por convicção, paixão, conveniência e (in)capacidade física. O miolo do scrum é onde o rugby acontece, onde o Terceiro Tempo padece! Rugbeer, Dirigente, Administrador de Empresas, voluntário e profissional com a mesma essência. rodrigoreis@rugbymania.com.br

Twitter Rodrigo dos Reis

O FIM DA DIVERSIDADE

fevereiro 14, 2012 às 13:06h
Notícias

Todos nós, rugbiers, conhecemos o Rugby como o esporte mais democrático do mundo, onde há espaço para todos os tipos físicos, desde o gordinho até o magrinho, do alto ao baixinho, do velocista ao mais lento. Aprendemos que a diversidade é uma das principais características do rugby, esporte onde cada um tem seu papel na busca do objetivo comum, avançar e cravar a bola no in goal adversário!

Mas até quando? Cada vez mais os gordinhos, os baixinhos e os mais lentos estão ficando de fora… Estamos vivendo uma falsa realidade onde os bons rugbiers são aqueles altos, fortes e rápidos! Não há espaço para quem não é atleta! Não há espaço para quem não atinge os índices propostos nos testes físicos!

Numa rápida pesquisa pela internet facilmente pode se encontrar alguns dados interessantes, seja com fontes nacionais (obviamente em menor escala) ou estrangeiras. Um exemplo simples: um trabalho de conclusão da Universidade Federal do RS (UFRGS) aponta algumas características dos jogadores de rugby testados. Nos Backs, a altura média é de mais de 1,75m, peso médio quase 80Kg; nos Forwards, altura de 1,80m e peso superior a 100Kg. Outra pesquisa, da mesma universidade, mas com grupos e épocas diferentes, mostra a altura média dos Backs superior a 1,78m, peso superior a 76 quilos. Nos Forwards, quase 1,80m de altura e mais de 96 quilos de peso médio.

Uma fonte estrangeira (http://knowtheplayers.com/) mostra que os atletas em atividade nas principais seleções nacionais deixam a diversidade de lado, com raríssimas exceções. Os pilares da Namíbia, por exemplo, tem 1,90m e 135Kg; 1,81m e 117Kg; 1,90m e 120Kg e 1,86m e 116Kg. Os halfs galeses 1,78m, 87Kg; 1,91m, 95Kg.  Os pontas irlandeses, 1,80m e 91Kg; 1,93m e 104Kg; 1,88m e 93Kg.

O excesso de competitividade, o alto rendimento como principal foco e a dificuldade em transmitir os valores do rugby estão acabando com a diversidade do nosso esporte. Cada vez mais os atletas se dedicam a treinamentos funcionais específicos, destrezas individuais, levantamento de peso, alimentação, exercícios e testes físicos, suplementos, etc, e esquecem a essência do esporte, o respeito, a camaradagem, o espírito do rugby!

E os gordinhos, baixinhos, lentos, aonde vão parar? Aonde estão os halfs magrinhos e corajosos? E os pilares de 40 minutos? Não há mais espaço para eles no rugby? Vão deixar de praticar o esporte que adotaram como filosofia de vida simplesmente porque não passaram nos testes físicos? Queremos um rugby parecido com o vôlei, natação ou basquete, onde só os gigantes e super-atletas tem vez?

É preciso criar e alimentar um ambiente para todos! É de responsabilidade das confederações, federações e uniões manter o espaço para estes praticantes, fomentando torneios intermediários, pré-intermediários, formativos, onde a competitividade intrínseca sobrevive nas mãos de pessoas normais, amadoras, rugbiers por essência.

Cabe aos clubes e seus associados buscar alternativas para aqueles que não tem índice dos “selecionáveis”, que englobem famílias, atividades recreativas, divertidas. Jogos, torneios e encontros que possibilitem a integração entre todos, que permitam terceiros tempos divertidos, torcidas animadas, e gordinhos, lentos e baixinhos em campo! Competir e vencer a qualquer custo não faz parte da nossa cartilha. Não tratemos o rugby como um simples esporte, porque não o é!

Quando os músculos se forem, as articulações pedirem água e os índices caírem, ainda sobrarão os verdadeiros amigos, os colegas de clube e companheiros do esporte que escolhemos como nosso modelo de vida!

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10 Comentários

  1. Handoff disse:

    como diz o Mirco Folli, italiano treinador de Recife: “Rugby non é democrazia, manda quem tem a bola.” kkkkk ótimo.

  2. Alberto Hansen Neto disse:

    Boa Rodrigão…

    Se a força me falta no braço, na coragem me sustento!

  3. Pedro Sibahi disse:

    Cara, essa diversidade continua existindo nos times amadores, mas vc acaba de usar o exemplo de times profissionais, onde existe a obroigação de vencer. Quando o cara é pago pra jogar e puxa ferro todo dia, óbviamente que a diversidade diminui mesmo. Mas sempre teremos o bom e velho rugby amador para manter as boas tradições do esporte.

  4. Wagner Marcelo disse:

    Muito bom, parabéns!

  5. Felipe Farnandez disse:

    Chegou o momento de criar uma liga de franquias provinciais como no Super Rugby ou Top 12, é deixar os clubes de forma social!

  6. Rodrigo dos Reis disse:

    Pedro, é isso que precisamos defender, o amadorismo praticando o rugby em sua essência! Adoro o rugby profissional, é o corpo levado ao extremo, são os ídolos nos quais nos espelhamos em campo! Mas tudo aquilo que o rugby representa fora dele deve ser respeitado, valorizado e alimentado. É a manutenção dos valores que torna o rugby especial para todos nós!
    Um abraço!

  7. Newton Calegari disse:

    Parabéns pelo artigo Rodrigo ;D
    Mas como o Pedro Sibahi comentou, no caso do nível profissional sempre será assim, e crio que em todos os esportes (natação, futebol), pois não apenas está em jogo o interesse pelo esporte e por torcer, mas, muitas vezes envolve questões financeiras (apostas, patrocínios, etc), daí uma maior necessidade de vencer.
    Sou novo no Rugby, mas uma das coisas que me cativou mais foi a própria questão da diversidade, onde todos podem participar, o espírito de equipe, a amizade e os outros valores transmitidos pelo esporte fizeram com que eu passasse a admirar e querer praticar 🙂

    Novamente, parabéns
    Abraço.

  8. juliana disse:

    Rodrigo

    è na diversidade que pessoas como tu conseguem enxergar o diferente da vida.E se no Rugby ampliou esta visão,parabens por sermos charrua.

  9. Karlla Davis disse:

    ótima matéria!!!! Parabéns Rodrigo.

  10. Patricia disse:

    Ficou otimo o texto, Digo! Parabéns!!

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